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terreiro do paço

terreiro do paço – 6

galeria elevada, upper gallery for terraces
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By eduardocortereal

eduardo corte-real is the author of "The Smooth Blog to Travel Drawing". He teaches Drawing at IADE - Universidade Europeia, Lisbon

7 replies on “terreiro do paço – 6”

Adoro os desenhos, Mestre!
Em 2012 espero estar na esplanada superior a brindar consigo.
Parabéns!
Alcina

os desenhos são bonitos, mas quando se pensa a cidade é necessário muito mais que desenhos bonitos e muito mais do que basearmo-nos na nossa expectativa e experiência própria conforto ou experiência urbana. A cidade e o mundo não são palcos permanetens à espera que nos sentemos na esplanada a assistir.
Não é aceitavel que se pense um espao como o Terreiro do Paço desconhecendo a simbólica, a história do lugar, a necessidade do espaço em branco na cidade. As cidades têm todas necessidades de vazios de aparato, n temos de os encher a todos. Eles têm um motivo p lá estar.
A escala da praça, a sua dimensão, face à arquitectura e à malha urbana e ao rio é o que torna esta Praça única na cidade, no mundo. É preciso conhecer e pensar as cidades bem mais profundamente antes de esteticizá-las como ordem primordial. É necessário conhecer a importância da Baixa Pombalina na história do urbanismo em todo o mundo, saber qu critérios estão subjacentes à sua valoirização- legislativa, para a unesco(dossier de candidatura a património mundial) para se saber que palmeiras e jacandarás e praças dentro de praças é não compreender de que património temos nas mãos. A não ser que estes desenhos façam parte de um exercício poético, uma fantasia urbana que não seja mais do que isso. Ficção.

Cara Josina,
Muito obrigado pelo seu comentário.
Sabe certamente que no Terreiro do Paço já houve árvores. Estavam já plantadas aquando do regicídio e acompanharam a praça durante a primeira república. Seria interessante pensar porque foram retiradas.
Voltemos à minha proposta e ao seu comentário.
1. a proposta viária. Estaria a favor do seu discurso ao retirar todo o trânsito dos atravessamentos norte-sul.
2. as palmeiras. Se ordenadas segundo uma geometria rectilínia e modulada, são as árvores que mais engrandecem os espaços de sagração sem os necrofilizarem (ciprestes).
3. os jacarandás: provisoriamente dou-lhos.
4. o passadiço: apenas estrutura não perene.
5. A simbólica, a Unesco e a verdadeira natureza dos lugares:
Todos sabemos que o terreiro do Paço nasceu como uma necessidade de atracagem a que se ligou um Paço que se tornou o Palácio de um rei merceiro à escala global. O desenho pombalino encarava já essa mercearia com um império de direito divino. Na reconstrução foram pensadas três praças que muitos ligam à trindade cristã. Rossio-Filho, Figueira-Pai e Terreiro-Espírito Santo. A cada uma das pessoas da Trindade corresponde um árvore de fruto: Filho: Romanzeira por causa dos sangue. Pai: Figueira, por causa da forma testicular. Espírito Santo: Oliveira: por causa do azeite das lamparinas e da rama da pomba etc.
O nome da praça da figueira trai ainda a sua origem e a provavel presença de tal árvore.
Mas pensemos um pouco mais longe. Na dinastia de Bragança há um mito fundador quando D. João IV entrega a coroa a N.S. da Conceição porque sabe que D. Sebastião ainda está vivo (muito velhinho mas vivo).
A praça pós terramoto poderia ser o espaço de acolhimento desse rei mítico que traria o império do espírito santo nesta nova Jerusalém ocidental.
Este Sebastião mítico chega todos os dias e nunca chega, mas a praça está lá para o acolher. As palmeiras acolheram a chegada do Messias à Jerusalém antiga… Não há solar ou monte alentejano que se preze que não tenha uma alameda de palmeiras a acolher as pessoas.
Mas os impérios vão-se e tornam-se também objectos míticos embora a mercearia global tenha sido um facto. Um facto que a flora dos jardins e ruas de Lisboa recorda permanentemente tornando-a na cidade mais tropical da Europa. Se nas Palmeiras ecoaria o império oriental do sonho do Prestes João também encarnado em Sebastião, o jacarandá recordaria a África e a América do Sul que refluiram para constituir o Portugal contemporâneo de onde já não se parte mas que onde sempre adiadamente se deveria ESTAR.
Abraço,
E.

viva
obrigada pela resposta ao meu comentário (que só consegui ver ontem)
As suas propostas têm o mérito de fazer-nos pensar Lisboa, e isso siginifica uma apropriação do espaço/habitat, indispensável a qualquer cidadão/cidade livre. Os lisboetas, e os que a percorrem ou simplesmente amam à distância, deviam fazê-lo mais vezes.
O Terreiro do Paço tem sido alvo durante as últimas décadas de grandes discussões e opniões. Vou tentar sistematizar o que me parece mais importante sobre este espaço, sem antes deixar de dizer que amo árvores, e amo-as no espaço público e urbano.
A palmeira não é a minha favorita e como refere está imbuída de forte carga religiosa, porque a folha de palma sempre foi o símbolo dos santos mártires. Apesar do Terreiro do Paço ter sido palco dos Autos de Fé de Lisboa ou ser a porta de entrada do país ou porta de saída p o império esse facto não me parece justificar uma escolha, que tem um enorme impacto paisagístico, de um tipo de árvore. Muitas e variadas iconologias podiam ser encontradas para outras espécies que se pudessem relacionar com o espaço. As espécies que refere estão muito bem representadas na nossa cidade, felizmente no caso dos jacarandás digo eu. Que as palmeiras sejam a árvore que mais engrandece um esapaço é uma opinião, e o argumento de que não há avenida californiana ou monte alentejano que não tenha uma alameda de palmeiras é um argumento que funciona, pelo menos para mim, ao contrário. Afinal estamos a falar de um espaço único, com características únicas, e não um espaço que deva emular ideias sobre alamedas ou avenidas bíblicas ou hollyoodescas.
A mitologia que convoca devo dizer-lhe parece-me estar próxima de alguns discursos místicos em torno dos significados obscuros que estão na charola do convento de cristo, na construção das pirâmides ou no número de pilastras na capela-mor dos Jerónimos. Sem retirar o a legitimidade de tais efabulações, na História, da Arte, do Urbananismo, da Arquitectura, são outros factos, com outras metologias que servem de base à relflexão.
E em nenhum plano de reconstrução da Baixa ou sobre a história da cidade se encontra qualquer referência à Santíssima Trindade relacionada com as três praças. O Terreiro do Paço e o Rossio já existiam aliás, são pré-existências que o plano manteve, adaptando,alargando os espaços dentro do programa racionalista moderno que havia de determinar a reconstrução.
O império de direito de divino é algo que antecede em muito a reconstrução pombalina. E não é certamente este período, que vai marcar o início do Antigo Regime com a separação dos poderes, que vai terminar com a Inquisição, reformar o ensino de forma a tirá-lo da alçada dos Jesuítas, não é esta sociedade q está a efabular sobre a vinda de D.Sebastião ou sobre Jerusalém.
Claro que pode dizer-me que não é esse Terreiro do Paço que lhe interessa mais, os tempos moldam os espaços de forma diferente, e aqui recomendava a leitura da introdução do relatório de candidatura a património mundial (arquitecto Walter Rossa e Historiador da Arte José Augusto-França) porque acho que fica muito claro qual é o Terreiro do Paço que devemos preservar e legar ao futuro.

Sei que já vai muito longo e muito mais haveria a dizer(a sistematização falhou).
Devo dizer-lhe que me agrada a ideia de estruturas perenes (não um passadiço que é permanente no sentido em que não o vai montar só para alguns dias especiais) para ocasiões especiais. Toldos transparentes que pudessem minimizar o impacto da luz para que eventos especiais pudessem ter lugar. Não imagino outro tipo de sombra nem outros tipos de estrutura.
A animação dos pisos térreos (oferta de restauração, cultural, comércio de tradição) e os planos ribeirinhos da Sociedade Frente Tejo (? n sei quais são….) a questão do trânsito (não sei qual é a melhor solução, retirar por completo, deixar só aos moradores como se fez noutros bairros?) O que é consensual é a necessidade de requalificar toda a Baixa Pombalina, começando por proteger o edificado e trazer mais habitantes.
Por sorte (e que sorte) temos uma frente ribeirinha que não acaba mais. Frentes de vista para as esplanadas e os passadiços (o passadiço parece-me interessante no percurso -por cima da água nalguns momentos-entre o Cais do Sodré e o Terreiro ou entre o Campo das Cebolas e Santa Apolónia por exemplo.

Obrigada
Josina Almeida

Andei para trás e para a frente a ler estes comments…e estou perplexa com existirem pessoas que dizem que não gostam de palmeiras como quem diz que não gosta de caracóis. Não tem a menor importância gostar ou não gostar de palmeiras. Não são ciprestes. E não gostar de palmeiras e gostar de Lisboa é quase um contrasenso – esta cidade é uma colagem de muitos tempos, viagens e lugares, da mistura de laranjas e café, de mansardas e soleiras, de por entre um recorte barroco, de amarelo ocre, de azul holandês, se erguer uma surpreendente palmeira. Põe mais, Eduardo, põe mais (e elefantes e turbantes e lanternas a arder, japoneiras e gelosias, roupa na corda e amoladores e baleias e tendas) que num desenho cabe sempre toda a imaginação ausente das cartilhas da escola.
D. Josina – claro que é um exercício poético, claro que é ficção, não tem lido os jornais?

Gostar ou não gostar de palmeiras parece-me pouco relevante para o assunto. O que já acho relevante, mas não para esta discussão,é o uso bimbo que dão à palmeira no nosso país, quando temos árovres “utóctones” em vias de extinçao. Belas. Muito belas.
Como exercício poético parece-me pobre, quando estamos na ficção desaparecem os impossíveis, e esta proposta para além de se desenhar como consequentemente possível, entra numa discussão já antiga sobre o pôr ou tirar árvores daquele espaço. E toma partido pelas árvores. Acha que não devíamos discutir a poesia dona smo?

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