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terreiro do paço

terreiro do paço – 1

This is an interuption in the normal flow of drawings on site. The main square of lisbon is about to suffer a redesign, controvertial because people think that is too bold. My opinion is the oposit. the fact is that terreiro do paço is a boring square from the point of view of  travel drawing. the main problem is that you never see the river AND the square because you are standing too short. what follows is my proposition as if I was there.

Isto é uma interrupção no tipo normal de posts e resulta da discussão que se tem aberto sobre o terreiro do paço. Do ponto de vista do Desenhador em Viagem, o principal problema do terreiro do paço é que é boooooring e a proposta apresentada só iria agravar essa essa desmaiada natureza.

Porquê? Os seus corpos laterais são demasiado extensos e baixos relativamente à área da praça que ainda por cima obedece a uma estafante simetria. Aquilo que poderia ser uma praça frente a um rio é uma praça frente a uma “fita” de rio uma vez que o horizonte está sempre colocado à altura dos nossos olhos… Para vêr mais rio temos de ir para ao pé dele, deixando em consequência de ver a praça.

A minha proposta consta em subdividir “virtualmente” a enorme praça com árvores de duas espécies emblemáticas da cidade de Lisboa: Palmeiras e Jacarandás. Alinhando as primeiras com as fachadas das ruas do Ouro e da Prata criava-se uma praça dentro da praça e dois largos longitudinais paralelos aos corpos laterais. No canto Nordeste da praça das palmeiras seriam então plantados os jacarandás (glória da fotografia a cores quando florescem e do desenho quando descansam nos seus troncos tortuosos).

Propõe-se também a criação de um passadiço encostado ao corpo Oeste à altura da sobreloja que possa servir de esplanada sobre elevada e de onde a vista do rio (até Palmela) seja então deslumbrante.

Para que tudo isto funcione bem deve ser feita uma intervenção no trânsito que evite os dois trajectos perpendiculares ao rio quer a automóveis quer a transportes públicos. Na rua paralela ao rio, a Norte junto ao arco da rua Augusta, o trânsito deveria ser apenas no sentido Leste-Oeste (da Expo para Belém). Na rua paralela ao rio a Sul deveria ser o apenas o inverso. Criava-se, então, uma “rotunda” de circulação entre o Campo das Cebolas e o Cais-do-Sodré. Neste contexto deveria também ser feito o óbvio, i.e. o prolongamento da linha de eléctricos rápidos do Cais-do-Sodré até à Expo aliviando o trânsito neste percurso e dando ao touriste ligação rápida e cómoda entre os dois principais pólos de atracções da Lisboa ribeirinha.

By eduardocortereal

eduardo corte-real is the author of "The Smooth Blog to Travel Drawing". He teaches Drawing at IADE - Universidade Europeia, Lisbon

17 replies on “terreiro do paço – 1”

Eduardo,

Se assim se fizesse acredito que finalmente iríamos tirar bom partido da praça.
Concordo com a subdivisão, concordo com as árvores, concordo com a proposta para o trânsito e para o eléctrico a fazer ligação à Expo e com as esplanadas com vista.

Houvesse mais bom senso e mais bom gosto….

Pois é Paula,

Parece que são sempre coligações de maus interesses e má qualidade técnica. é como o metro. gastaram-se milhões por causa da mania de o fazer passar pelo terreiro do paço quando podia ter ido por baixo do castelo (resolvia problema do acesso lá cima com elevadores subterrâneos) por baixo de alfama e s.marta até s. apolónia…

Obrigado Eduardo,
Mas se visitares a EScola Superior de Desenho Industrial do Rio de Janeiro verás o que eles estão a fazer com as fibras das folhas de palmeira.
Abraço,
E.

de facto lidar com esta praça nunca foi fácil. Esta ideia em certa medida faz-me lembrar a proposta de há anos do arq. manuel Vicente, um passadiço em rampa que rasgava a praça enquanto ganhava cota para levar o peão para o outro lado da estrada, junto da estação e do cais das colunas. Enquanto que a do m.v. era uma fuga da praça esta do e.c.r. é uma permanência na mesma. O problema coloca-se justamente aí: local de passagem vs local de paragem. as esplanadas, os museus e restaurantes, galerias quando acontecerem a paragem será inevitável à sombra, por isso é que o terreiro sempre ficou de difícil vivencia. As espécies arbóreas ajudam, o cheiro a terra e a agua, com pássaros dão-nos vida numa praça em que a escala desta vez até pode ajudar, afinal ser o motivo para pequenas praças dentro de uma. E isto de desenhar a praça não deve ser simples. É que fazer linhas no chão e estereotomias de materiais servem no Google earth, mas não para quem queira viver a praça. Depois há outra coisa, um Florian é tradição em San Marco, mas não serve o veneziano. Os lisboetas que são multi-étnicos gostam de usar aquilo que lhes pertence sobretudo misturando sabores, culturas e criatividade com sentido de propriedade.

Obrigado João,

Quanto ao pavimento eu proporia um calçadão com o desenho de copacabana. tudo isto é coerente com uma ideia de branding de cidade até para os próprios locais. o terreiro do paço como sagração do poder do estado deveria passar a ser um local de sagração do poder do povo. todos os florians de lisboa (brasileira p.ex) são ocupados pelas duas categorias: lisboetas e forasteiros. é engraçado que fales da piazzeta (o café não é o florian, eu sei) porque o espectáculo da piazzeta não é o bacino da dogana mas sim s. giorgio maggiore e a giudecca. também aí falta algo que existia quando a praça foi desenhada e construída: a praça fechava-se no lado do rio por uma floresta de navios ou fundeados ou em movimento. Esse cenário magnifico foi substituído por uns fugazes catamarans e uns ocasionais cargueiros. nunca me hei-de esquecer da impressão de estar no dorsoduro virado para a giudecca e ver passar um paquete daqueles de dez andares de altura…
para gáudio da janela do meu gabinete eles param na rocha conde de óbidos ou na doca do espanhol.
o prof carvalho rodrigues tamém tem razão quando diz que a praça é para ver do rio. quem ia apanhar o comboio ao barreiro deve lembrar-se de ver deslizar toda a cidade por cima daquele rigor do terreiro do paço.
Abraço,
E.

Eduardo, your drawings are so expressive of the place. I felt I was back is Lisboa with its vibrant energy and warm people.

Dear Dori,
Thanks for your comment. You are welcome anytime (you, your president and his dog :0).
Cheers,
E.

Olá Eduardo,

Recebi o seu email, com uma proposta para o Terreiro do Paço… Gostei! Acho que a devia apresentar…

Um abraço aqui de África,
José Maria Nobre

Caro Zé Nobre,
obrigado pelo comentário. de facto o que eu estou a fazer é a apresentar (não do ponto de vista de arquitecto mas do ponto de vista de um contemplador)
Que tudo corra bem aí,
Abraço e feliz regresso
E.

Caro Professor,

A vastidão do terreiro do Paço é tal que transforma uma praça Urbana num palco. Não um palco do teatro do quotidiano, mas um palco onde Lisboa está exposta, despida, aos passantes, visitantes ou turistas. É como um excelente pretexto para ostentar a capital de Portugal.
Onde é que quero chegar? O próprio desenho da praça e dos edifícios envolventes torna qualquer intervenção arquitectónica de cariz permanente um risco, quase um atrevimento. Por isso, se em vez de se pensar numa proposta de longa durabilidade com todos os inconvenientes dessa situação, quanto a mim (que não sou mais que um curioso em questões desta monta) podia pensar-se em desenvolver anualmente uma proposta de ocupação efémera do terreiro, à imagem do que é feito em Londres com a serpentine Gallery, por convite a artistas ou arquitectos de renome cujas obras feitas propositadamente para o local, ocupariam temporariamente a praça, e com polémica ou sem ela, durariam apenas uns meses até serem desmontadas. Ficaria deste modo salvaguardada a integridade do legado pombalino e eventualmente a praça ganharia periódicamente uma dinâmica urbana de elevado valor cultural. É claro que é apenas uma opinião nem sequer particularmente bem informada, mas parece-me merecer uma reflexão.
Abraço.

Olá Filipe,

Primeiro larga lá o professor.
Obrigado pelo comentário. Lembro que estou a falar do ponto de vista do desenhador em viagem e professor numa escola de design. Assim começo por colocar o ponto de vista do humano com a sua mísera altura de 1.60m a 1.90m. Na proposta que foi apresentada acho divertido que se fale nos losangos como se eles estivessem numa camisola. Ninguém os vai ver como foram apresentados nos magníficos renderings sempre aéreos. Voltando ao ponto de vista do permanente turista a praça é aborrecida, um “torreiro” do paço com um amigo me escreveu num email.
Quanto ao legado pombalino não me parece que palmeiras colidissem com esta arquitectura. Não há solar, palacete, ou palácio por esse país que não se anuncie com alamedas de palmeiras. Não há árvore mais ligada ao poder que a palmeira. As palmas serviram para acolher o Rei dos Judeus na sua entrada em Jerusalém. Assim também ali estariam a acolher os novos reis (os touristes) e a dar alternativas ao desenhador em viagem. A praça criada pelas palmeiras é ainda assim grande, sensivelmente da área da praça da figueira. As palmeiras criariam um três em um: mantinham a monumentalidade, sublinhavam a linguagem pombalina sujeitando-as à sua métrica e criavam um espaço mais humano. O passadiço poderia ter o carácter temporário de que falas.
Obrigado de qualquer modo,
E.

Eduardo,

Se utilizo a forma de professor é porque lhe reconheço ainda o estatuto de quem me ensina e de certa forma me orienta em alguns aspectos relacionados com o desenho, longe de ser uma formalidade enfatuada é mais um reconhecimento de uma autoridade (ao nível do conhecimento claro está), mas se prefere que largue o professor eu largo.
Quanto às suas reflexões sobre o terreiro, no que se refere às palmeiras parece-me cada vez mais apelativa à medida que vou pensando nisso. Já os jacarandás me parecem menos necessários. Quanto ao mais, os objectos efémeros toleram melhor as mudanças de mentalidade das diferentes épocas que os ditos permanentes, daí esta preocupação.
Abraço,

Olá Eduardo. Acho a proposta supreendente. Mas não me parece que o António Costa ande com um moleskine no bolso…
Os desenhos do meu amigo é que me deixam roído de inveja.
Abraço.

Obrigado Zé,
Obrigado pelo comentário.
Um dia temos que combinar um sketchcrawl no Terreiro do Paço para percebermos o que eu estou a dizer.
Abraço,
E.

Caro Eduardo Corte Real
É um atrevimento meu fazer esta pergunta. Não sou nem sequer mínimamente qualificado para tal (o Filipe poderá dizer-lhe…)
Mas fiquei com curiosidade – porquê especificar o canto Nordeste para os jacarandás? A luz?
Ah!, não gosto nada da ideia do trânsito no lado Sul, principalmente estando ao nível da praça. Estraga muito a paz de espírito e o sossego. Mas não tenho soluções a propor…

Olá Gonçalo,
Obrigado pelas perguntas.
A posição dos jacarandás têm a ver com a luz, sim. aquela zona é a mais exposta ao sol e consequenteemente árida. A sombra “nasce” no corpo oeste. quanto ao trânsito, só se consegue salvar alguns dos lados se se mantiver os atravessamen tos leste/oeste. Se os carros não estiverem parados até fazem parte do espectáculo urbano. Parece-me mais importante retirá-los de junto às alas porque aí pode crescer algo relacionado com o construído.
abraço,
E.

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